Plástico: do séc. XIX a 2024

Plástico

Você já parou para pensar como seria a vida sem plástico? Imagine seu celular, tablet, embalagens de alimentos e até mesmo partes do seu carro. Tudo isso depende de um material que, incrivelmente, só começou a ser amplamente utilizado há pouco mais de um século. 

Neste artigo, vamos conhecer a história do plástico e entender como ele transformou nossa sociedade, quais são os desafios e o que está sendo feito para os superar.

A origem do plástico

No final do século XIX, o mundo vivia um momento de grande transformação, a era das invenções, das descobertas científicas e do progresso industrial. 

No entanto, materiais naturais como marfim, madeira e metal eram escassos e caros. Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de um material sintético que pudesse substituir esses recursos limitados.

O primeiro plástico sintético foi criado por um inventor chamado Leo Baekeland em 1907. Baekeland desenvolveu a baquelite, um material moldável que não conduzia eletricidade e era resistente ao calor. 

Mas por que isso foi tão revolucionário? Imagine a possibilidade de criar produtos mais baratos, duráveis e versáteis. 

O baquelite logo se tornou essencial na produção de eletrônicos, automóveis e muitos outros itens do cotidiano.

Baquelite: o que isto tem a ver com o plástico que consumimos hoje?

Com a invenção da baquelite, o plástico começou a ganhar espaço rapidamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de materiais leves e resistentes impulsionou ainda mais o desenvolvimento de novos plásticos. 

O nylon, por exemplo, substituiu a seda em paraquedas, enquanto o polietileno se tornou fundamental na fabricação de equipamentos militares.

Não é curioso como uma necessidade de guerra pode acelerar inovações que moldam o futuro? Infelizmente, este é o padrão para muitas das grandes invenções da humanidade, e neste caso não fugimos à regra. 

Após a guerra, a indústria do plástico explodiu – com o perdão do trocadilho!

A produção em massa reduziu os custos, tornando o plástico acessível para todos. E assim, o plástico começou a invadir nossas vidas, dos brinquedos das crianças às embalagens de alimentos, revolucionando a economia e o consumo.

Indústria do plástico e as transformações na sociedade

Neste ponto, já dá pra ter uma ideia de quanto o plástico mudou a sociedade. Mas como foi isso, de fato? 

O plástico trouxe conveniência, acessibilidade e inovação. Produtos que antes eram luxos passaram a ser comuns. A durabilidade e a versatilidade do plástico permitiram avanços na medicina, na tecnologia e em muitas outras áreas. 

Pense nos dispositivos médicos, nos aparelhos eletrônicos e nas embalagens que preservam alimentos por mais tempo. Todos esses avanços foram possíveis graças ao plástico!

Mas essa revolução também trouxe desafios. 

O aumento da produção e do consumo de plástico gerou um problema de resíduos que, assim como o plástico, dura séculos. E ainda hoje estamos tentando resolver esta questão, buscando cada vez mais impulsionar a sustentabilidade. Por isso, aqui entra a necessidade de repensar nossa relação com esse material.

Plástico

E agora, para onde vamos? 

Sabemos que o plástico é essencial, mas precisamos encontrar maneiras de usá-lo de forma sustentável. 

Soluções como plásticos biodegradáveis e a economia circular, que promove a reciclagem e o reaproveitamento, são caminhos promissores. Imagine um futuro onde todo plástico usado seja reutilizado, criando um ciclo virtuoso que reduz o impacto ambiental.

A história do plástico é uma narrativa de inovação e transformação, na qual fica muito explícito que o vilão da história não é o material plástico, mas sim a forma como a sociedade lida com ele. O que deveria ser um avanço, trouxe junto consigo sérios problemas. 

Por isso, este texto se soma a tantas outras iniciativas e é um convite para refletirmos sobre nossas escolhas e buscarmos soluções que conciliem progresso e sustentabilidade. 

Evoluções que o surgimento do plástico possibilitou

Você já se perguntou como o plástico se tornou uma mina de ouro para a economia global? 

Desde sua invenção, o plástico não apenas transformou o cotidiano das pessoas, mas também gerou lucros gigantescos e impulsionou inúmeras inovações.

A ERA DE OURO DO PLÁSTICO

O início do século XX foi marcado por um rápido desenvolvimento industrial e tecnológico. Com a invenção de novos tipos de plásticos, a produção em massa começou a decolar. Mas quando o plástico realmente começou a gerar lucros consideráveis? 

Foi durante a década de 1930, quando indústrias começaram a explorar o potencial do plástico para substituir materiais caros e escassos.

A introdução do poliestireno e do PVC (cloreto de polivinila) revolucionou diversas indústrias. 

O poliestireno, com sua capacidade de ser moldado em formas diversas, tornou-se um componente essencial em eletrodomésticos, brinquedos e embalagens. 

Já o PVC foi amplamente utilizado na construção civil, substituindo metais e cerâmicas em tubos e revestimentos, reduzindo custos e aumentando a durabilidade.

grandes invenções e descobertas

Durante a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de materiais leves e duráveis levou ao desenvolvimento de plásticos como o Teflon, que oferecia uma superfície antiaderente e resistente ao calor. 

Após a guerra, o Teflon se tornou um sucesso comercial, sendo utilizado em panelas e utensílios de cozinha, além de aplicações industriais.

Outro marco foi a invenção do polipropileno nos anos 1950, que trouxe uma revolução nos bens de consumo. 

Suas propriedades, como resistência química e térmica, o tornaram ideal para uma variedade de produtos, desde embalagens de alimentos até peças automotivas. 

O polipropileno impulsionou a economia de inúmeras maneiras, tornando produtos duráveis e acessíveis a todos.

Em 1941, dois químicos britânicos, Rex Whinfield e James Dickson, criaram o poliéster. 

Este material, inicialmente usado em roupas, acabou encontrando aplicações em garrafas plásticas e filmes de embalagem. O poliéster se destacou por sua durabilidade e versatilidade.

Impactos positivos na sociedade

Sim, eles existiram, existem e são muitos!

O plástico trouxe incontáveis benefícios para a sociedade. Sua versatilidade permitiu a criação de produtos médicos descartáveis, como seringas e luvas, que melhoraram a higiene e reduziram infecções. Na indústria alimentícia, as embalagens plásticas prolongaram a vida útil dos produtos, facilitando o armazenamento e o transporte.

Na área da tecnologia, os plásticos possibilitaram a miniaturização de componentes eletrônicos, contribuindo para o avanço dos computadores e dispositivos móveis. 

Imagine como seria a tecnologia sem o plástico: difícil, não é? Ele permitiu a fabricação de componentes leves, resistentes e baratos, acelerando a inovação tecnológica.

Outro exemplo é o acrílico, descoberto nos anos 1930. 

Este plástico transparente e resistente ao impacto substituiu o vidro em muitas aplicações, desde janelas de aviões até lentes de óculos, melhorando a segurança e a praticidade.

desafios e o caminho para a sustentabilidade

Mas, apesar dos enormes benefícios, o plástico também trouxe desafios ambientais e sérias questões de sustentabilidade.

O descarte inadequado e a falta de reciclagem eficiente resultaram em poluição e acúmulo de resíduos. 

No entanto, a solução para esses problemas está ao nosso alcance.

A busca por alternativas sustentáveis, como bioplásticos e o fortalecimento da economia circular, é essencial. 

Imagine um sistema onde todo plástico seja reciclado e reutilizado, criando um ciclo que minimize o impacto ambiental. 

Iniciativas para promover a reciclagem e o desenvolvimento de tecnologias mais limpas são passos importantes para um futuro mais sustentável.

A história do plástico é repleta de inovações e transformações econômicas. Desde seus primeiros lucros até as grandes invenções que moldaram o mundo moderno, o plástico demonstrou ser um material revolucionário. Mas, embora tenha revolucionado a sociedade e a economia, o plástico também gerou problemas ambientais significativos.

Desafios da indústria do plástico: problemas de sustentabilidade

Os problemas ambientais relacionados ao plástico começaram a ganhar atenção na década de 1960. 

À medida que a produção de plástico aumentava, também crescia o descarte inadequado e a poluição. Nos anos 1970, o lixo plástico nos oceanos tornou-se uma preocupação global. Mas o que exatamente aconteceu?

A produção global de plástico passou de 2 milhões de toneladas em 1950 para 381 milhões de toneladas em 2015 (PlasticsEurope). Esse aumento exponencial trouxe benefícios econômicos, mas também revelou um lado sombrio: a poluição plástica. 

Estudos mostram que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos a cada ano (Jambeck et al., 2015).

O plástico e os principais problemas ambientais

O acúmulo de resíduos plásticos nos oceanos criou enormes ilhas de lixo, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, que ocupa uma área duas vezes maior que o estado do Texas (National Geographic). 

Este acúmulo afeta a vida marinha, com animais ingerindo plástico ou ficando presos em resíduos plásticos, causando mortes e afetando a cadeia alimentar.

Além disso, a produção de plástico é um grande consumidor de recursos naturais e energia. Cerca de 8% da produção mundial de petróleo é utilizada na fabricação de plásticos (WEF, 2016). Isso não apenas contribui para a escassez de recursos, mas também para a emissão de gases de efeito estufa.

Impactos sociais e econômicos  

Os problemas do plástico vão além do meio ambiente. O descarte inadequado de plásticos afeta comunidades em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento, onde a infraestrutura de gestão de resíduos é insuficiente. Em muitos lugares, a queima de resíduos plásticos ao ar livre é comum, liberando toxinas perigosas para a saúde humana.

A economia também sofre. O custo para lidar com a poluição plástica nos oceanos é estimado em cerca de 13 bilhões de dólares por ano, incluindo os impactos na pesca, no turismo e nos danos aos navios (UNEP, 2014).

Plástico

O verdadeiro culpado: o problema não é o plástico, mas como lidamos com ele

Já parou para pensar que o problema com o plástico não está nele mesmo, mas na forma como o tratamos? Enquanto o plástico tem sido atacado como o vilão da poluição, a verdade é que a responsabilidade recai sobre nós: a maneira como produzimos, consumimos e descartamos esse material é que precisa ser revista. Vamos explorar como o verdadeiro desafio está em nossa gestão e não no plástico em si.

A má gestão e a falta de reciclagem

A produção de plástico disparou nas últimas décadas, mas a infraestrutura para reciclagem e gerenciamento de resíduos não acompanhou esse ritmo. Apenas 9% de todo o plástico produzido até hoje foi reciclado (National Geographic). O restante acaba em aterros sanitários, incineradores ou, pior ainda, poluindo nossos oceanos.

Por que isso acontece? A falta de políticas eficazes de reciclagem e a ausência de educação ambiental robusta são os grandes culpados. Muitos países carecem de sistemas de coleta seletiva e de instalações adequadas para reciclar plásticos. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 8,7% dos resíduos plásticos foram reciclados em 2018 (EPA).

A economia linear versus a economia circular

A sociedade ainda opera majoritariamente em uma economia linear, onde extraímos recursos, fabricamos produtos, usamos e descartamos.

Este modelo é insustentável. A solução está na transição para uma economia circular, que enfatiza a redução, reutilização e reciclagem de materiais.

Imagine se todos os plásticos fossem projetados desde o início para serem reciclados. Isso reduziria significativamente o desperdício e a necessidade de novas matérias-primas. Estudos indicam que a economia circular poderia reduzir a quantidade de resíduos plásticos em até 80% (Ellen MacArthur Foundation).

Inovação e responsabilidade corporativa

A responsabilidade também recai sobre as indústrias que produzem plástico. Empresas precisam adotar práticas de produção mais sustentáveis e investir em inovação, como é o caso da Limer-Cart, que foca, inclusive, numa das bases da sustentabilidade: a educação ambiental e a produção de conteúdo que esclareça sobre o assunto. 

Mas ações práticas relativas ao plástico, em si, também têm sido muito adotadas. Plásticos biodegradáveis e compostáveis são alternativas que já estão sendo desenvolvidas, mas ainda são pouco utilizados devido aos custos mais altos.

Além disso, grandes corporações devem ser responsabilizadas pela gestão de seus produtos pós-consumo. Programas de responsabilidade estendida do produtor (EPR) incentivam os fabricantes a pensar no ciclo de vida completo de seus produtos, desde a produção até o descarte.

O papel do consumidor

E nós, como consumidores, também temos nossa parte. A falta de conscientização e hábitos de consumo irresponsáveis contribuem para o problema. Cada escolha que fazemos, desde o tipo de embalagem que compramos até a forma como descartamos nossos resíduos, impacta o meio ambiente.

A mudança começa com pequenos passos: preferir produtos com embalagens recicláveis, separar corretamente os resíduos e apoiar empresas que adoteam práticas sustentáveis. A educação ambiental é crucial para que possamos tomar decisões mais informadas e responsáveis.

Dados e estatísticas

Para contextualizar, vamos olhar para alguns números. Cerca de 91% de todo o plástico não é reciclado, e estima-se que 8 milhões de toneladas de plástico entrem nos oceanos a cada ano (Science Advances). Se nada for feito, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050 (WEF).

E o mais importante é que o plástico vem sendo atacado e recai sobre o material uma responsabilidade que é do ser humano, dos governos, empresas e sociedade como um todo.

A busca por sustentabilidade

Diante desses desafios, a sustentabilidade no mundo do plástico se tornou uma prioridade. 

A economia circular é uma abordagem que visa fechar o ciclo de vida dos produtos, promovendo a reutilização, reciclagem e redução do desperdício.

Empresas e governos estão investindo em tecnologias para desenvolver plásticos biodegradáveis e em programas de reciclagem mais eficientes. 

Em 2018, a União Europeia lançou uma estratégia para reduzir os resíduos plásticos, estabelecendo metas para reciclar 55% de todos os plásticos até 2030 (European Commission).

Iniciativas globais e inovação

A sustentabilidade no mundo do plástico depende de inovação e colaboração global. Projetos como o Parley for the Oceans, que transforma plásticos oceânicos em produtos de consumo, e iniciativas como o Ellen MacArthur Foundation’s New Plastics Economy, que promove a transição para uma economia circular, são exemplos de esforços positivos.

Empresas de tecnologia estão desenvolvendo novas formas de reciclagem química que podem converter resíduos plásticos em matérias-primas originais, ajudando a reduzir a dependência de recursos fósseis. O investimento em educação e conscientização pública também é crucial para mudar hábitos de consumo e melhorar a gestão de resíduos.

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Mas nós sempre podemos fazer mais. Podemos fazer, cada um de nós, a nossa parte, que é simples. Separar o lixo orgânico do lixo seco, reutilizar materiais plásticos, ter um consumo mais consciente… cada um fazendo a sua parte: sustentabilidade é sobre isso!

Fontes:

  1. PlasticEurope, Plastics – the Facts 2019
  2. Jambeck et al., 2015, Plastic waste inputs from land into the ocean
  3. National Geographic, The Great Pacific Garbage Patch
  4. World Economic Forum (WEF), The New Plastics Economy
  5. United Nations Environment Programme (UNEP), Valuing Plastic: The Business Case for Measuring, Managing and Disclosing Plastic Use in the Consumer Goods Industry
  6. European Commission, A European Strategy for Plastics in a Circular Economy

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